quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Um segredo.

Aqui te escrevo.
Um segredo.
Escrevo apenas. 

Estás longe demais 
para me conseguires ouvir. 
Longe demais em quilómetros. 
Longe demais para compreenderes 
aquilo de que te queria falar. 

Aqui te escrevo um segredo.
É tão teu quanto meu mas
tu nem sabes.
Soube escondê-lo bem.

É de ti para ti 
que escrevo.
Não tem sentido mas
é sentido.

Aqui te escrevo um segredo que
nada mais é que um poema.
Nada mais é.
Um poema.
Um segredo.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

LOVE BURNS.

Já perdi a conta das vezes que não ficaste. Não sei se por medo ou por falta de vontade. Talvez seja porque é mais fácil fechar a porta e fugir da confusão da vida para a confusão do quarto. Foges-me à velocidade que o cigarro queima entre os teus dedos. Como fazer-te ficar quando não tenho isqueiro que te acenda, nem sou droga que te vicie? Como não querer que fiques quando sou dependente do teu abraço e ressaco na tua ausência? Ainda tenho tantos segredos para te contar mas acho que nunca vais chegar a saber das alucinações que os teus olhos postos em mim me causam. O desejo ilícito de te ter e todos os efeitos secundários do teu beijo, são a obsessão mais prejudicial que conheço. Não te peço para ficares mas espero que saibas que o que mais quero é que fiques. Já perdi a conta das vezes que não o fiz. Não sei se por medo mas sei que não por falta de vontade. Talvez seja porque me habituei a manter a porta aberta e a deixar fugir quem não sabe se quer ficar. Fumo um cigarro mas és tu que ardes em mim. É o tabaco que mata mas és tu que me deixas assim.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

4 AM













São quatro da manhã. 
Mais uma noite em branco.
Mas o cansaço não chega.

São quatro da manhã.
Mais uma noite no escuro.
Mas a saudade não chega.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Like a ghost.




Saio à rua de ar sério, o sorriso esqueci não sei onde. Os meus olhos, escondidos por detrás do cabelo, seguem o chão que piso com pressa de voltar de novo a casa. À casa que não é minha porque a mim nada pertence, nem eu mesma. Fujo de olhares, finjo ser uma que ninguém conhece e caminho sem tempo para encontros. Depressa, sempre depressa. Com a pressa de chegar onde ainda não sei, onde ainda não sou. Depois de uns quantos passos apressados estou em casa outra vez. Já posso ser. Quem não me pertence, quem não chegou, quem não sou.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O vazio é maior que o amor.

Preocupo-me demasiado em amar os outros. Entrego-me totalmente e esqueço-me de amar também quem sou. Dou tudo e não guardo nada para mim. No final da noite, quando estou a sós comigo, percebo que o vazio é maior que o amor. Mas que faço eu quando todo o amor está nos outros que dormem tranquilamente e eu me perco noite fora à procura da minha própria companhia? A solidão é muito mais do que estar sozinho. Mais do que estar, é não estar e ainda assim sentir-se só. Dentro de mim, o vazio é tão maior que o amor.

sábado, 14 de março de 2015

Volta. Sempre.

A vida nem sempre é fácil, pois não? Eu só sei, meu amor, que contigo do meu lado é mais fácil do que difícil. É fácil quando saio pela rua segura pela tua mão, é fácil quando rimos em uníssono, é fácil quando estás. Mas, meu bem, quando não estás…É difícil adormecer, é difícil parar o choro, é difícil calar as vozes dentro da minha cabeça. É difícil…mas eu durmo, eu acabo com o choro e calo as malditas vozes. Porque sei que voltas, sei que vens. Sei que o teu peito será a minha almofada, o teu ombro o meu consolo e a tua respiração o silenciador dos meus fantasmas. Não estás agora e peço-te que não demores. Às vezes fica difícil. Mas contigo é mais fácil. É mais fácil quando voltas. Peço-te que voltes. Volta sempre, amor.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Então, meu amor, fiquemos.

Sabem quando há alguém que realmente nos enche o coração e que só por existir nos faz querer estar cá para existir a seu lado? Eu sei e quero dizê-lo a toda a gente. Morro de vontade de sair à rua e gritar com toda a minha força que o encontrei e que, felizmente, ele me encontrou. Mas fico quietinha, a observá-lo em silêncio e a desejar tê-lo sempre ali. Cada gesto dele me transmite energia, daquela que nos dá força e nos faz querer aproveitar cada segundo na sua companhia. Cada olhar, cada sorriso, cada toque me faz vibrar até à mais profunda parte de mim. Não poderia ter uma razão melhor para ficar e, por isso, ficarei. Tudo o que quero é que ele também fique.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

I want a night 
 with you. 
 I want to close
 the curtains. 
 I want to lay in bed 
 and feel you breathing. 
 I want the only noise 
 to be my inhale 
 replying to your exhale. 
 I want to trace my fingers
 along every line and curve
 of your back. 
 I want to feel your face 
 buried into my neck. 
 I want to lay like this 
 and feel every worry
 melt 
 the same way that I melt
 when I am with you.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

(Des)encontros.

Quantas vezes na imensidão da noite, em mim, te procuro. Quantas são as vezes em que te encontro apenas no que resta da minha memória, só e apenas no que resta de ti na confusão do que sou. Sou uma gaveta onde se guarda tudo o que não tem lugar. Procuro-te na esperança de que ao te encontrar, me reencontre. Mas toda a minha procura é em vão, são tantos os desencontros dentro de mim. Ao perder-te, perdi-me e não voltei a encontrar-me.

Andreia Pereira

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Copo cheio, coração vazio.

Pego no copo, mais um gole. Faltam só mais alguns para o álcool me atenuar a dor. Por enquanto as lágrimas escorrem-me pela face, umas atrás das outras, atropelam-se até esbarrarem no meu vestido. Mais outro gole mas ainda te sinto a ocupar cada pensamento meu, volto então a encher o copo. Vou soltando gritos mudos, que se sufocam antes de os ouvir. Estou sozinha e, pior, estou só. Mais um copo entornado na minha alma, estilhaços por toda a parte, cortes que me rasgam até à mais profunda parte do meu ser. Só não me sentindo consigo sentir-te, é por isso que bebo, para te ter mais perto. Estando lúcida jamais acreditaria que voltavas, mas não controlo a minha necessidade em acreditar que o poderás fazer. E é por isso que mato a minha sede, para te ressuscitar em mim.

Andreia Pereira

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

AMAR É LOUCURA

Tão bom seria que o coração de alguém procurasse por mim. Melhor ainda, que apenas se encontrasse em mim e que, por isso, não abandonasse a sua procura. Que bom seria acelerar o ritmo cardíaco de alguém com uma simples presença minha na sua vida. E que fosse eu a causa das suas insónias, preenchidas com pensamentos onde flutuasse a minha existência. Que bom era, que uma carente alma procurasse tão desesperadamente por alguém como eu e me encontrasse a fim de me amar loucamente. Oh, e que loucura é a minha por acreditar que és tu que aceitarás enlouquecer comigo. 

Andreia Pereira

quinta-feira, 28 de março de 2013

LOST

Olho em redor, 
o silêncio 
lembra-me 
de que estou só. 

Eles fogem-me,
aqueles que amo.
Vão embora,
como barcos
que partem
e se perdem
no mar.

Ninguém volta.
Eu não volto.
Parti,
perdi-me.
Fugi-me.

Andreia Pereira

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sinto a tua falta, Avó.

Quando chego a casa já não estás à minha espera, já não te arranjo o lanche ou acendo o lume para te aqueceres. Não acordo contigo a chamar por mim ou vou dormir com um beijo teu de boa noite. Já não te chateias comigo por estar sempre no computador e por não ir levantar a mesa. Já não tenho companhia quando os pais estão fora de casa. Já não és tu que aturas o meu mau humor, as minhas birras e as minhas crises de choro quando tenho saudades do avô. Onde foste? Quando voltas? Procuro-te e já só em mim te encontro, Avó.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Um amor, o amor, meu amor...

Eu quero um amor. Quero um amor que me aqueça. Um amor que me faça falar, que me queira ouvir. Quero um amor que me procure no meu fundo, que me encontre e reencontre. Eu quero um amor que permaneça. Um amor, que me ame e que me faça amar o amor. Um amor, eu quero, amor.

Avó,

Vou ter saudades tuas.
Para sempre.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

(sintotantoatuafalta)

Quero-te. Quero-te mais do que imaginas. Mas partiste-me o coração. Pior que isso, roubaste-mo. Rasgaste-me o peito e deixaste um vazio em mim. Não sabes como é difícil olhar-te, sem que me sintas a falta. É que eu, eu já não te encontro e tu já não me procuras.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Às vezes também me afundo, no fundo.


- Isso está no teu sangue. Essa vontade, meio egoísta, de querer o mundo. Corre em ti, leva-te à frente.
- Não é no sangue, é na alma. E que em mim corre eu sei, mas sou eu que estou à frente na corrida. Sou maior que o resto - mais funda.
- Mentes. Eu vejo-te o fundo.
- Estou para além do que os olhos vêem.
- Achas?
- Estou.
- E levas-me lá? Afundas-me contigo?
- Já cá estás, parte de ti.
- Estarei inteiro, espero.
- Um dia.
- Sim, um dia.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vai-se perdendo tudo, aos poucos.

E as palavras não saem. Andam todas cá dentro, numa forma de não sei quê, muito diferente da das letras.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Melhores dias virão - Pois que venham!

Que o tempo passe,
E que as coisas passem com ele.
Que haja amor,
Que saibamos amar.
Que eu me aguente,
E leve o mundo à frente!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

.

Secou-se-me a boca, com falta de vida trocada em nossos beijos. Secou-se-me a alma, com falta de paixão transmitida nos nossos olhares. Só não me secou os olhos, com tanta saudade a escorrer por entre eles.

terça-feira, 8 de maio de 2012

(Desa)sossego

Hoje. Pairam em mim consequências de dúvidas, de medos - de tudo aquilo que sou, aos montes. Dói-me aqui, não sei bem onde, um pouco por toda a parte - talvez. Hoje nem sei bem a quantos estamos, nem sei bem as horas. Sei que estou a sós com o meu pesadelo, mora no meu sótão e tem o meu nome: Andreia, esse mesmo. Foi assim que lhe chamaram. A mim, assim, sou eu. O maior pesadelo de mim mesma, ao qual fujo sem fugir. Hoje, apanhei-me, tranquei a porta e engoli a chave. Deixei do outro lado o melhor de mim, quase sem querer. Quase. Porque não se deixa sem querer. Eu deixei e quis - quis o melhor de mim. Mas tranquei a porta, afastei tudo dela. Hoje - será sempre hoje, amanhã será hoje. Hoje dói-me aqui, não sei bem onde e quem me dera não saber porquê. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

É melhor guardar, cá bem no fundo...

Poderia dizer-te tudo que me vai na alma, desejos e angústias - outra vez - mas não quero que te percas. Não como eu me perco todos os dias. Cala-te! - digo-me a mim mesma - Ou ainda te fartas de me ouvir.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Adormecida, sem ser bela.

« Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior

No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo

E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste...
»

(parte da) Música: "Adormecido" - Toranja

sábado, 14 de abril de 2012

Tão perto e tão longe.

Por palavras não te sei dizer porque razão afectas tanto aquilo que sou. Acho que precisava de te olhar nos olhos, encostar a cabeça no teu ombro e ficar assim, quieta. E aí, quando o teu coração batesse no meu ouvido, quando a tua pele se juntasse com a minha, aí talvez percebesse porque razão me inquieta tanto saber que tantas estradas temos no meio de nós e que tantos caminhos levam a minha alma à tua.

(Andreia Pereira, 26 de Dezembro de 2011)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mergulhos no fundo da alma.


Peço-te um beijo, na esperança de que o sabor amargo da saudade vá embora. Olho-te nos olhos e sem palavras percebes como estou perdida, algures, na profundidade do meu ser. É lá que passo o tempo nos dias frios, quando a ausência do teu abraço me gela os ossos e me mantém imóvel até ao teu regresso. Sorris. E eu, sem saber porque o fazes, volto à superfície e sorrio-te de volta.



(Andreia Pereira, escrito numa aula)

domingo, 4 de março de 2012

A saudade vem sempre acompanhada de memórias.

A tua ausência é incapaz de passar despercebida. Dói a todos o silêncio que ecoa pela casa, onde paira a despedida a que não tivemos direito. Dói-me a mim, que acreditei ser capaz de te salvar, de te puxar para mim e não te deixar ir para lado nenhum. Mas quem sou eu para decidir tal coisa? Eu que nem sei o que se passa na imensidão do mundo. Certo é que não estás nele - se estás, avisa-me e faz-me um sinal, porque não te ver apaga-me. Já nem sei quem sou, Avô. Tenho tantas saudades tuas, da tua gargalhada e da tua voz. Tenho saudades de te observar sem que repares e de te admirar em silêncio. Saudades - são tudo o que resta, saudades e memórias. Tanta falta que me fazes, tanta falta que fazes ao mundo, meu querido Avô!


Nada, pode ser tudo.

Muitas vezes me questiono - sobre a vida, sobre a morte. É para mim difícil acreditar que um ser humano seja mais que isso, porque não é. Somos apenas uma parte insignificante no meio de algo que desconheço, mas que sei ser de uma dimensão infinita. Há muito mais para além do que conheço - haverá sempre. Porque o que para mim é tudo, é nada - no meio de tudo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

« Ser ou não ser? - Eis a questão. »

Preciso de um abanão na alma. Um daqueles capaz de me entornar os pensamentos e de me sacudir a tristeza. Preciso de algo que me acorde nas veias, que me rasgue a pele e me dispa do que tenho sido. Que me dispa da roupa que não é minha. Preciso de um abraço. Um abraço que me aqueça o coração e me esmague o medo. E, principalmente, preciso de mim. Mas não sei onde ando - sendo o que não sou.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Que somos nós afinal?

Que sou eu
Quando a saudade me enche o peito?
E tu?
Que quando te moves desse jeito
Trazes a minha alma na mão
A escorregar-te por entre os dedos.

Que sou eu
Sem o teu beijo vazio?
Que me enche
Com nada,
Com tudo.

Que sou eu
Quando tenho não tendo,
Aquilo que é meu
Nada.

Que somos nós?
Tão longe de o ser,
Perdidos
Naquilo que queremos
E não temos.

(Andreia Pereira, escrito numa aula)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Há dias que não são dias, não são nada.

Há dias em que só quero desaparecer. Não existir. Não pensar, nem sentir. Quero não querer. Nem saber. Nem nada. Há dias em que eu não sou eu e me meto doida à minha procura.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sei onde estás e onde sempre estarás, avô: em mim.

Quando assistimos, mesmo aos nossos olhos, à passagem pela tão ténue linha entre a vida e a morte de alguém que nos é tão próximo, deixamos de ser a mesma pessoa. No início pensei que nos tornávamos mais fracos, enganei-me. Por maior que seja a dor e por mais que nos persigam as memórias daquele exacto momento há sempre alguma parte de nós com força. A minha são vocês: mãe, avó, mana e pai. Vocês e ele. O meu herói, o meu avô.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tempo? Por mim só passa.

Mais uma mancha na camisa, desta vez foi o café. Mais uma nódoa negra na alma, tenho que parar de ir contra a corrente. Estou atrasada para viver - avisa-me o meu corpo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

« The love you take is equal to the love you make. »

Sempre me disseram que dou tudo, tudo do que sou. Dou-me como o vento que desce a rua numa tarde de outono se dá a cada esquina. Deixo-me ir, na esperança de que as pessoas que encontro no caminho se entreguem a mim como as árvores entregam as folhas por cada vez que o vento passa. Acredito, ingenuamente, que alguém um dia me trará tudo de volta.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ainda há ar nos meus pulmões. Ainda.

Estou aqui. Inspiro, expiro - ainda aqui estou.